terça-feira, 6 de fevereiro de 2018



Ensinamentos de Buda quando estava morrendo. Mas Budas não morrem, entram na perfeita paz de nirvana.
Oito verdades dos grandes e seres humanos:
1º Poucos Desejos:
Os desejos são dos olhos, ouvidos, nariz, língua e da pele. Também desejos de riqueza, contato sexual, alimentos, fama e conforto.
Buda disse: Vocês devem saber que a pessoa de muitos desejos procuram incessantemente pelo ganho e por isto sofrem, pessoas de poucos desejos estão livres de procurar, livres dessa aflição. Vocês deveriam buscar e aprender que poucos desejos é a suficiência por si mesma e que poucos desejos fazem surgir todas as virtudes. Pessoas de poucos desejos não se dobram, (não se corrompem(sic) para ter benefícios, ganhar a mente dos outros, eles não são presos aos seus órgãos dos sentidos.
Àqueles que praticam  poucos desejos tem a mente plena e plana de equidade. Estão sem preocupações e sem medo. Quando entram em contato com as coisas eles tem latitude, expansão e, estão livres de qualquer insatisfação. Àqueles que tem poucos desejos obtém nirvana, Isto é chamado poucos desejos.

Oito verdades dos grandes seres humanos
1º  Poucos Desejos;
2º  Conhecer a Satisfação: Se vocês desejam se libertar de toda a espécie de sofrimentos, vocês devem refletir em conhecer a satisfação, a suficiência. A prática é o próprio lugar da abundância, da alegria e da paz. Pessoas que conhecem a satisfação, mesmo quando estão deitados no chão, estão totalmente confortáveis e alegres. Àqueles que desconhecem a satisfação, mesmo vivendo em palácios celestiais, ainda não encontram a suficiência. Àqueles que não conhecem a satisfação, mesmo sendo ricos são muito pobres. Pessoas que conhecem a satisfação, mesmo pobres são ricos. Àqueles que não conhecem a satisfação constantemente  são puxados pelos cinco desejos. Eles são apiedados por aqueles que conhecem a satisfação. Isto é chamado a satisfação ou suficiência.




sábado, 3 de fevereiro de 2018



PARINIRVANA DE BUDA

            Segundo os eruditos japoneses, o Buda histórico, teria entrado parinirvana, na madrugada do dia 14 para o dia 15 do 2º mês lunar. Seria então, no dia 15 de fevereiro. Fica mal e se deita entre as árvores e faz o seu último sermão. Um gesto de extrema compaixão, falando a todos que o ouviam, especialmente seus discípulos mais próximos, monges , monjas, leigos e leigas.
Gente pobre, gente rica, diz-se que até os animais o escutavam. Os ensinamentos que ele profere nesse último sermão, serão os mesmos que Mestre Dogen , o fundador do zen faria, 1300 anos depois, nos seus últimos momentos de vida, no Japão.
Num texto que mestre Dogen escreveu sobre esses últimos ensinamentos diz:
“Budas são grandes seres humanos. O que os grandes seres humanos realizam é chamado As oito verdades dos grandes seres humanos.”
E realizar este darma é causa de nirvana. O estado de serenidade e paz. Foi o último ensinamento de nosso mestre original Shakiamuni Buda, na noite que ele entrou nirvana, a completa extinção, a morte.
As oito verdades dos grandes seres humanos são:
1º Poucos desejos;
2º Conhecer a satisfação;
3º Apreciar a tranquilidade;
4º Praticar diligência;
5º Não perder a plena atenção, mindfulnes;
6º Praticar o estado equilibrado de Djana – Zen – meditação;
7º Praticar sabedoria;
8º Não se perder em discussões à toa;

( continua com aprofundamento de cada um desses aspectos)


terça-feira, 30 de janeiro de 2018



ALTERAÇÕES NAS ORIENTAÇÕES DO
RETIRO DE PARINIRVANA DO BUDA
NEHAN SESSHIN 

Em função de problemas de saúde, foi necessário alterações na programação do retiro,  que fica assim estabelecido:

O retiro passa a ser nos dia 13, 14 e 15 de fevereiro.

- Somente será oferecido hospedagem para quem vem de outras cidades;
- Não haverá refeições em iriokis e nem serviço de cozinha. Será oferecido somente algum lanche, café e chá;
- Isto quer dizer que as pessoas terão que trazer sua comida ou almoçar fora. Podem usar a cozinha para preparação de lanches, alguma salada, café da manhã(para quem ficar hospedado);
- Monja Coen mantém sua vinda dias 14 e 15;
- No dia 14 não haverá o jantar com a mestra. A mesma nos contemplará com uma pequena palestra às 19h30, para um publico limitado de pessoas. Será cobrado um ingresso de R$ 50,00. 
- Dia 15 ela estará conosco pela manhã oficiando cerimônias;
- Em anexo material para divulgação;
- Aos inscritos, vamos conversando por email; 
- Oportunamente envio a programação do retiro aos inscritos,  assim como avisos gerais;
- A participação poderá ser da seguinte maneira:
Diária de R$ 90,00
Total: R$ 270,00
Parcial: somente dias 14 e 15 : R$ 180,00


Gasshô
Monja Kokai Sensei

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

terça-feira, 7 de novembro de 2017

domingo, 22 de outubro de 2017

ROHATSU SESSHIN


Este é um retiro em que é possível fazer uma imersão na meditação zazen, nos ensinamentos zen budistas, assim como nas demais práticas que compõem a rotina de um mosteiro.

PROGRAMAÇÃO
DIA 08

18 h  - Chegada e acomodação
19 h -  Jantar
20 h -  Zazen ( meditação sentada) 
21 h -  Cerimônia de abertura 
22h -   Recolhimento

DIA 09 - Sábado
6h30 - Despertar
7h     - Zazen 30-10-30
8h10 - Cerimônia da manhã
8h40 - Desjejun
9h30 - Samu(trabalho em grupo)
10h30  - Ensinamentos
11h10   - Zazen
11h30 - Cerimônia do meio-dia
12h - Almoço com oriokis
13h -  Descanço
14h -  Zazen 30'10'30
15h10 - Ensinamentos
16h  - Intervalo
16h15 - Zazen
16h45 - Cerimônia vespertina
18h - Jantar
Intervalo para banho e descanso. 
20h - Zazen 30
          Kinhin 10
20h40: Teischô
21h10 : Recolhimento

DIA 10 - Domingo

6h30   - Despertar
7h       - Zazen 30'10'30'
8h10   - Cerimônia da Manhã
8h40    - Desjejun
9h30    - Samu
10h30  - Ensinamentos
11h10   - Zazen
11h30   - Cerimônia meio-dia
12h00   - Almoço
13h       - Palavras finais 
14h     - Encerramento

Durante todo o retiro pede-se para praticar o nobre silêncio.

Mais informações serão enviadas a todos que solicitarem.

Em gasshô!






sábado, 7 de outubro de 2017

DARUMA-KI Homenagem a Bodidarma.




Caso Principal:

Imperador Wu de Liang perguntou a Bodidarma:
Qual é o princípio dos ensinamentos sagrados?
Bodidarma disse, “Vazio, nada sagrado.”
“Quem está de pé a minha frente?”
“Não saber.”
O imperador não apreendeu seu significado.
Assim sendo Bodidarma cruzou o rio e foi para a terra de Wei.
O imperador mais tarde falou sobre isso com Shikô, que disse:
“O senhor sabe de fato quem é essa pessoa?”
O imperador disse: “ Não saber.”
Shikô falou:
“Este é o Bodisatva Kannon, que guarda o selo da mente Buda.”
O imperador sentiu profundo arrependimento e queria enviar alguém para Bodidarma, mas Shikô disse:
“Não adianta enviar um mensageiro para o trazer de volta. Mesmo que todas as pessoas fossem, ele não voltaria.”

TEISHÔ

Apesar de insegura e insuficiente em prática e sabedoria, fui nomeada Monja líder e devo honrar esta obrigação,  o qual recebo como uma oportunidade  para avaliar o meu grau de compressão do Darma de Buda. Como caso principal, tenho o compromisso de estudar a vida e ensinamentos do Grande Mestre Bodhidarma, 28º ancestral do Darma.
                Seu nome originalmente era Bodaitara, terceiro filho de um rei(Rajah) , no sul da Índia. Nasceu em torno de 440( algumas fontes citam final de século V) Seu pai admirava muito o 27º professor do Darma, Prajnara ou Hannyatara,  e era devoto do Budismo. Certa vez, Hannyatara foi convidado para ir ao palácio e quando lá, recebeu uma linda jóia, e a usou para testar os três filhos do rei, perguntando: “O que vocês acham dessa jóia?”  O primeiro príncipe respondeu – “Essa é a coisa mais inestimável do mundo.” O segundo disse: “É mesmo. Ela é tão magnífica que nem mesmo uma grande pessoa pode possuí-la.” Então era a vez de Bodaitara, que tinha apenas 08 anos. E você, o que acha? O menino permaneceu em  silêncio. Hannyatara chegou a comentar que talvez ele fosse muito pequeno para responder, no que o menino disse: “Essa é uma jóia mundana e por isto não pode ser classificada como a melhor. Eu considero o Darma como o melhor tesouro.” Hannyatara ficou impressionado com a compreensão do menino,  pois o que ele queria dizer era que o brilho da jóia era mundano comparado com o brilho da sabedoria. O menino continuou: “ Eu considero a luz da sabedoria como a melhor luz. A luz brilhante desta jóia não pode iluminar a si mesma, mas precisa da luz da sabedoria para ser percebida.”  Hannyatara compreendeu que estava diante de um sábio e que este viria a ser o seu sucessor no Darma, mas que causas e condições ainda não eram propícias para que o menino o acompanhasse. naquele momento. Apesar disso, foi nesse encontro que aconteceu o diálogo de mente a mente – Ishin den shin –
Mestre Hannyatara pergunta: O que, dentre todas as coisas é sem forma?
Bodaitara: Não surgir é sem forma.
Mestre: O que dentre todas as coisas é a mais exaltada?
Bodaitara: O sentido de eu e outros é o mais exaltado.
Mestre: O que dentre todas as coisas é suprema?
Bodaitara: A verdadeira natureza de todas as coisas é suprema.
Foi neste diálogo que aconteceu a transmissão de mente a mente, entre mestre e discípulo – ishin den shin, mas Hannyatara sabia que a hora ainda não havia chegado.

Algumas vivências importantes foram similares quando ainda muito jovens,  pelos que vieram a ser os mais importantes ancestrais do Darma. Tanto Shakayamuni Buda,  Bodidarma e Dogen provêem de famílias nobres e ricas. Ainda com seu nome mundano,  Sidarta, ao sair do castelo, foi impactado pela dor e sofrimento existentes naquela época – a verdade sobre o sofrimento da doença, velhice e morte. Para mim aí iniciou o grande despertar daquele veio a ser o  Buda Histórico. Ou melhor, acho que até antes, em sua infância. Uma criança, quando chega na idade de dominar relativamente bem a linguagem, lá pelos 7-8 anos, consegue expressar uma sabedoria impressionante, pois ainda não está totalmente atravessada pela cultura dominante e institucionalizada. Eu, como terapeuta infantil, já tive a grande sorte de presenciar tais situações, que são muito emocionantes. Dogen, com a morte dos pais, o  pai aos 4 e a mãe aos 8 anos, questiona a obtenção do nirvana somente após a morte e por quê não aqui e agora, ainda em vida? Bodidarma também, quando morre seu pai , provavelmente ainda um adolescente, entra em samadhi(concentração profunda) diante de seu caixão. Em comum, o sofrimento, esse choque de realidade que a morte de pessoas amadas e necessárias impõe. E todos os grandes mestres se dedicaram às questões relativas à vida/morte - sua compreensão e significado. Bodidarma, no Sermão do Despertar diz “Cada sofrimento é uma semente de Buda, devido ao sofrimento impelir os mortais a buscar sabedoria. Mas você só pode dizer que o sofrimento gera buditude. Você não pode dizer que sofrimento é buditude. Seu corpo e mente são o solo. O sofrimento é a semente. A sabedoria é o broto e a buditude é o fruto.” Mestre Dogen disse que clarificar completamente o significado de vida-morte é o assunto mais importante para todos que trilham o caminho iluminado. Essa questão que nos convoca a aprofundar na compreensão é complexa pois contempla as marcas indeléveis do Darma de Buda, a impermanência, o não-Eu e o Nirvana- onde habita o Vazio, que tanto Bodhidarma apontava. O vazio de uma existência fixa e permanente, o vazio do desejo de agarrar-se , apegar-se ou pegar algo, o vazio do Eu – que não há nada que tenha existência própria, fixa, permanente e incondicionada. Ou seja, eu sou na medida que tu és, tu sé na medida que nós somos, nós somos na medida que há um cosmos que nos promove e acolhe – infinita mente.
Após o funeral do pai,  Bodaitara foi encontrar Hanyatara e pediu para deixar sua casa, se tornando monge. Hanayatara sabia que o tempo havia chegado e fez com que Bodaitara recebesse os preceitos completos. Em seguida, Bodaitara sentou-se em meditação por mais sete dias no quarto do venerável, recebendo ensinamentos sobre o zazen. Hannyatara disse: “Você agora atingiu tudo aquilo que existe para saber sobre todos os darmas. Darma  siginifica “Amplitude de compreensão”, então você deve passar a chamar-se “Darma”. Ficou então Bodhidarma, Bodaidaruma.
Permaneceu junto ao seu mestre durante mais de quarenta anos. Realizou o Darma com muita profundidade na Índia, e depois de 61 da morte de Hannayara,  Bodhidarma deveria levar o Budismo para a China, pois as condições estavam propícias. Bodhidarma já estava com mais de 60 anos quando atravessou o oceano , numa viagem que levou 3 anos para chegar à China. Chegando lá, seguiu as profecias de Hannyatara, para não permanecer no sul, pois lá as pessoas apenas valorizavam ações condicionadas para acumular méritos, e não conseguiam compreender  o verdadeiro princípio dos ensinamentos do Buda. Mais tarde ficou sendo conhecido como “Escola do Norte”. (A Espiritualidade Budista, Vol. II p. 8) Foi nessa época, quando a China era dividida em Sulista e Nortistas, que o Budismo Indiano chegou à China. Os nortistas tinham mente militarista, enfatizando meditação e mágica e os sulistas, mais intelectualistas, preferindo as discussões filosóficas. Bodhidarma além de trazer o Zen para China, introduz a meditação  que leva a sabedoria e compaixão – a espada que corta as ilusões dando e tirando vida – herdada de Hannyatara.
Confirma essa profecia o encontro que ocorreu entre Bodidarma e o imperador Wu, que sabendo da chegando desse importante professor, queria ter com ele .
De acordo com A Transmissão da Lâmpada de Tao-Yuan, obra de 1002, Bodhidarma chegou a sul em 520 . Durante esse encontro aconteceu o seguinte diálogo entre o imperador Wu e Bodhidarma:

- Que méritos tenho por ter  construído mosteiros, traduzir escrituras budistas, auxiliar monges?
- Mèrito nenhum, diz Bodhidarma.
- Qual o mais alto significado das verdades sagradas?
- Vazio – Nada Sagrado.
- Quem é este que esta de face para mim?
- Não sei.

O imperador, que era destacado por ter um entendimento escolástico do Budismo, identificado com a cultura sulista, intelectualizada, provavelmente racionalizando mais os ensinamentos e talvez se “perdendo” nas discussões filosóficas, era conhecido como  o “Imperador da Mente Buda”. Ele  não compreendeu a doutrina do vazio de Bodhidarma , apresentada a ele pelo ilustre convidado.  Talvez   Bodhidarma queria promover a reflexão de que se não se deve esperar méritos como recompensa de uma boa ação, pois esta não é uma ação virtuosa de verdade. Mesmo assim, o imperador faz outra pergunta, talvez seguindo uma lógica secular; se não há méritos em construir mosteiros e  ajudar os monges, o que é sagrado então?  Novamente a resposta vem com a doutrina do vazio: Vazio,  nada sagrado! 
Naquele momento Bodidharma confimou que deveria seguir para o norte, como havia orientado Hannyatara. Atravessa o rio Yangtse, que separava o reino do sul – Liang, do reino do norte -  Wei.  Chega ao Mosteiro de Shaolin mas fica numa caverna nas proximidades do templo, fazendo Zazen – de face para uma parede, durante os nove próximos anos.  As pessoas estranhavam e passaram a conhecê-lo como o “Brâmane que olha para a parede”, não demonstrando nenhum interesse em falar sobre o Darma ou desejar ensinar discípulos, apesar da popularidade do Budismo do budismo na China.
Penso que esse “Silêncio” de nove anos represente a quebra do paradigama entre o Budismo vivido até então na índia, com sua antiga ideologia de libertação do ciclo de nascimento e morte e a grande amplitude da cosmologia indiana, diferente da cultura  positivista  da China. É nesse contexto que  Bodhidarma introduz o Zen , silenciosamente,  na China, privilegiando a prática da meditação.  Talvez esta seja a maior importância de Bodhidarma que leva para a China o “...ensinamento de que o nirvana nada mais é que samsara percebido em seu vazio.” (A esp.Budista-Vol II, introdução.) Retoma os ensinamentos fundantes do próprio  Shakyamuni Buda , ensinamento silencioso,  quando o próprio  estende uma flor e Makakasho compreende o ato de Buda de girar a flor em seus dedos ...e quando entra a palavra, esta já não está sob a influência do Bramanismo da Índia , mas apontavam diretamente para o que estava sendo vivido no aqui e agora. Que atingir a percepção iluminada da realidade pode-se dar além das palavras e recitação de sutras. Gugu-dada. Uma fala sem fala.
“Sentar e esquecer de tudo” – a expressão ecoa na meditação budista desde o lendário Bodidarma, até o “apenas sentar – shikantaza, de mestre Dogen.
Só, permaneceu em zazen durante nove anos. Mestre Dogen disse “Até mesmo o zazen de uma única pessoa num momento concorda imperceptivelmente com todas as coisas e ressoa totalmente através de todos os tempos. Assim no passado, no futuro e no presente do ilimitado universo, este zazen leva adiante o ensinamento de Buda infindavelmente. Cada momento de zazen é igualmente inteireza de prática, e igualmente inteireza de percepção. Esta não é somente uma prática enquanto se está sentado, é como um martelo golpeando o vazio: antes e depois, seu refinado rebate permeia todos os lugares. Como pode ele limitar-se a este momento? Centenas de coisas manifestam todas a prática original da Face Original; é impossível medi-las. Sabeis que, mesmo se todos os Budas das dez direções, tão inumeráveis quanto as areias do Ganges, exercessem a sua força e com toda a sabedoria dos budas tentassem medir o mérito do zazen de uma única pessoa, não seriam capazes de compreendê-lo totalmente.” (Escritos de Mestre Dogen)
Chega até nós, nos dias de hoje, a vibração deixada pelo zazen de Bodhidarma, o martelo imprimiu sua marca nas memórias do tempo.
Pouco se sabe sobre Bodhidarma. Algumas fontes falam que ele teve muitos  discípulos, outras  quatro. O mais famoso, no entanto, é o 29º ancestral na linhagem – Taiso Eka, ou Huiko. Não sabe-se ao certo se é lenda ou se realmente aconteceu, porém sabe-se que ele não tinha um braço, na altura do cotovelo, mas diz-se que ele esperou por muitos dias, na neve, para ser recebido por Bodhidarma. Como isto não acontecia, ele cortou seu próprio braço, numa tentativa de atrair a atenção do mestre, que deve ter pensado “esse aí está realmente aprender ...”, e o recebeu. Registra-se o seguinte diálogo:
Eka:  Mestre, por favor, me mostre a verdade. Por favor, pacifique a minha mente.
Bodhidarma teria dito: Se sua mente não está em paz e tranqüila, então me traga essa mente.
Eka respondeu: Não consigo.
Bodhidarma disse: É isso. Isso é uma mente em paz.
Diz-se que Eka iluminou-se nesse momento.
Os outros três transmitidos foram Dofuku, Daiku e Soji. Em outras fontes consta que Soji era Nisoji, uma das filhas do imperador Wu, que falhara em compreender a doutrina do vazio de Bodhidarma, mas mandou sua própria filha para aprender a verdade.
Há poucos regisitros sobre Bodidharma e seus ensinamentos, talvez pela própria postura desse grande mestre, do não-apego a palavras e doutrinas.
Não se sabe ao certo o ano de sua morte(em torno de 528 d.C). Está enterrado na China, na Montanha Orelha de Urso.
Reza a lenda que um certo oficial o encontrou caminhando de volta para Índia, levando consigo amarrada na ponta do cajado, apenas uma sandália. Diz-se que a outra tinha ficado dentro do caixão, mas sem um corpo – VAZIO!



Teishô elaborado por Monja Kokai, para seu Darma Combate, em 04/07/2015.