terça-feira, 28 de julho de 2020



ZAZENKAI
26/07/2020

No domingo, dia 26 de julho, tivemos nosso primeiro Zazenkai on-line, com a presença de pessoas de todo o Brasil, Portugal e Japão. Nosso profundo agradecimento pela participação de todos. O Darma em todas as direções.

A comunidade também agradece a presença de  Monja Heishin, discípula transmitida de Monja Coen, de São Paulo. Monge Yakusan, obrigada por ceder a plataforma e, mesmo se recuperando, ter nos dado assistência. Genpô San e Myogen San, praticantes leigos dedicados no caminho de Buda. 
Reverências a nossa mestra, Monja Coen Roshi, que sempre generosa nos conforta com seus ensinamentos e sabedoria. 

Nesse dia também foi inaugurada a nova logo da comunidade - ZendoBrasil - Vale dos Sinos, que passa a nos identificar na continuação da prática incessante. Percebam que há uma fusão das imagens, fusão que foi acontecendo na prática, na parceria e, acima de tudo, resultado da prática conjunta por um longo tempo, na confiança, na aceitação incondicional , na prática do não-retorno. Temos como ponto de convergência a nossa  mestra, a quem podemos nos entregar com absoluta confiança, assim como ela também confia, seus discípulos. 
O próximo passo será criar um site, que deverá substituir o blog Zen Vale dos Sinos e outras marcas nas redes sociais.

Nos vemos em breve!











quinta-feira, 2 de julho de 2020




ZAZENKAI - UM DIA DE RETIRO ZEN
 DOMINGO 26 DE JULHO


É com imensa satisfação que realizaremos um zazenkai duplamente inaugural – Estaremos tornando público a aproximação institucional entre a comunidade Zen Vale dos Sinos e o ZendoBrasil – comunidade que tem Monja Coen como superiora. A partir de agora nosso logo mudou e passamos a nos chamar ZendoBrasil-Vale dos Sinos.
Esse dia de retiro on line será conduzido pelas senseis transmitidas de Coen Roshi e, a equipe de apoio será de monges e praticantes leigos do ZendoBrasil.
Nesse dia também, estamos inaugurando a modalidade on-line de nos encontrar, impedidos que estamos de nos reunir presencialmente, por conta do Covid-19.
A proposta é que tenhamos um encontro a cada último domingo do mês. Esse mês nos encontraremos no dia 26 de julho, das 8h às 17h.
As inscrições para esse retiro serão realizadas pelo Sympla, que também disponibilizará a plataforma Zoom. As orientações pertinentes à prática do zen serão fornecidas um dia antes, em horários ainda a serem definidos.
PROGRAMAÇÃO:
8h  -    Abertura com Introdução ao zazen
8h20 - Zazen
9h  -    Cerimônia da manhã
9h15 – Palestra de Monja Kokai – Quem foi Shakyamuni Buda e seus primeiros ensinamentos.
10h10 – Intervalo
10h30 – Zazen 25’10’25
11h30 – Cerimônia do meio-dia
12h     - Intervalo
13h30 – Zazen 30’
14h   -  Palestra de Monja Heishin – O Nobre Caminho do Interser
14h50   - Intervalo
15h    - Zazen 25’10’25’
16h   - Benção de Monja Coen Roshi
16h30 – Encerramento com cerimônia vespertina.

Orientações Gerais:
Na véspera você prepara um espaço em sua casa para vivenciar o zazenkai. Certifique-se que ficará confortável, tendo um acolchoado ou tapete onde você colocará a  almofada, que  deverá  ter uma altura apropriada ao seu corpo. Se quiser, monte um altar, que necessariamente não precisa ser budista. Flores, vela, incenso...
As roupas deverão ser discretas e confortáveis, de cores pretas, cinza, marrom. Recomenda-se samuê(para quem tem)calças de abrigo e camiseta(sem ser cavada).
VALORES DOS INGRESSOS
Conscientes da crise sanitária e econômica que atravessa o país, oferecemos três possibilidades de contribuição:
R$ 30,00
R$ 50,00
R$ 70,00
Você estará contribuindo para manter o centro de prática onde a sanga se reunia duas vezes por semana, fechada atualmente desde o dia 17de março, sem previsão de reabertura.
O Zazenkai  on-line é o meio hábil atualmente ao nosso alcance, para seguir girando a roda do Darma, para que os ensinamentos de Buda continuem chegando a muitos seres.
Contando com a presença de todos, seguimos atravessando!




terça-feira, 23 de junho de 2020






DISTANCIAMENTO SOCIAL

20 de junho de 2020 -  dia que bateu a marca de 50.000 mortos pela Covid-19. Confinada em casa desde 16 de março – 3 meses – duas ou três saídas de carro – ir no zendô/consultório molhar as flores, comprar ração e ir na farmácia. Agora nem isso, o carro já não pega.
Por 10 dias não teria havido o retiro no final de fevereiro – passou de fininho. Já se falava da pandemia,  que antes distante, estava se aproximando. Foi um marco para mim. Organizar um retiro para 60 pessoas, com a presença de Coen Roshi. O peso todo dessa responsabilidade.
 Sentimento contraditórios – as vezes um choro convulsivo de tristeza por todo esse cenário que vivemos no Brasil pós golpe, onde a pandemia não poderia vir em pior hora – genocídio/genocidas. Desastre sanitário e econômico. Que será do nosso povo? E sensível e frágil, escuto  uma música do Criolo, que me faz pensar nos contrastes entre as gentes e os diferentes mundos habitáveis – samsara e nirvana, despertos e sonâmbulos, bodisatvas que expressam a coletividade e o egocentrismo ilimitado.
Quando fechei o zendô/consultório no centro da cidade, acreditava que seriam 3-4 semanas e, tudo voltaria ao normal rapidamente.  Parece que faz tanto tempo! Eu já atendia duas pessoas por internet, assim que a migração dos pacientes de presencial para virtual não me pegou totalmente de surpresa. Que bom! Quanto as atividades como monja, entrei num vácuo. Com o passar das semanas  as fichas começaram a cair...essa era a nova realidade e os prazos para se voltar à antiga ordem, começaram a se alargar. A  minha residência já havia sido reformada para os retiros. Comporta bem até 15 pessoas. Com o estímulo de Coen Roshi, iniciei um projeto de uma live por 21 dias. Fui pegando o jeito e essa live passou a ser diária : 15 minutos ensinando o zazen – 30 minutos de zazen e mais 15 minutos para perguntas e respostas e ensinamentos. No final, interajo um pouco com o mais assíduos, assim quê, uma sanga virtual se formou. Por iniciativa de uma praticante, na primeira semana do mês, ela passa o “chapéu virtual” – dinheiro que tem sido usado para pagar as despesas do zendô que está fechado.
Por um lado, me sinto afortunada pois a covid não bagunçou a minha vida. Vivo de forma confortável, não tenho sofrido prejuízos financeiros. Mais ou menos o que Darwin falou. Sobrevivem os que tem mais condições de se adaptar . Isto não é exatamente que dizer que os mais fortes sobrevivem, pois apesar de tudo, não estou segura, pois sou do grupo de risco, precisaria ir no médico e no dentista, o que não tem sido possível nesse momento.
Nessa experiência, o mais surpreendente foi a descoberta que é possível levar o Darma de Buda até as pessoas através da internet, coisa que Roshi Sama já vem fazendo a tanto tempo. É justamente nesses tempos de confinamento que tenho interagido mais com a minha comunidade de praticantes, assim como com minha Mestra e meus pares, outros senseis. Agora temos até um grupo de estudo entre os senseis. Coisa que antes, com as correrias de cada um, isso passava...
Tenho tido uma agenda lotada de encontros virtuais, lives, praticantes, pacientes, grupos de estudos...preciso ficar atenta pois os horários das conferências são muito exatos.
O han – martelo de madeira toca – eu largo tudo e me conecto à internet. Novos tempos!


Monja Kokai
21/06/2020

terça-feira, 5 de maio de 2020


PRESENÇA DE ESPÍRITO
As vezes a reação de uma pessoa nos surpreende e dizemos que ela teve presença de espírito, ou seja, uma reação, um ato, uma palavra, tão certeira e apropriada, como o poema do budismo que  diz...”quando duas flechas se encontram em pleno ar, ponta com ponta, será somente a técnica a responsável?”
O que ensina o budismo sobre espiritualidade?
- O Budismo, através de seus ensinamentos, seus preceitos éticos e a prática disciplinada e constante do zazen(meditação zen) são instrumentos ao alcance da cada um para desenvolver  a sabedoria e a compaixão. Na medida que isto vai sendo aprofundado, converte-se numa elevação do espírito.  E o que é elevar-se espiritualmente? Assim como o budismo, outras religiões também tem este propósito, que em síntese é nos tornarmos seres humanos melhores, mais solidários, sábios e  amorosos .
Certa vez Leonardo Boff estava num evento onde estava o Dalai Lama . Ele perguntou ao Dalai Lama qual é a melhor religião e o Dalai Lama respondeu que era àquela que te convertia numa pessoa melhor. Ou seja, assim como há diversas denominações para quem é Deus, de acordo com cada tradição religiosa, também há diversas maneiras de fazer contato com o divino, com deus, com a natureza buda, com o mistério e o sagrado. Aprendi com o budismo que podemos desejar ampliar o nosso olhar, a nossa consciência, para poder enxergar e reconhecer o sagrado em tudo, principalmente nas pequenas coisas, nas plantas, nos animais, nos pequenos seres, nos céus e na terra, na água e na floresta, no acordar de todas as manhãs e no anoitecer que antecede o descanso
O que a espiritualidade muda na vida das pessoas?
A completa integração entre corpo, mente e coração nos unifica e este alinhamento nos permite  presença plena na vida. Ficamos mais inteiros em todas as experiências e passamos a olhar e entender  o mundo a partir de uma mente menos discriminadora , sendo capaz de levar para o nosso dia a dia  a transcendência da dualidade. Ficamos  mais sensíveis e empáticos e passamos a nos relacionar com o mundo, com a vida e com todos os seres com mais amorosidade e compaixão. E isto é bom de ser vivido, uma benção, que acaba se irradiando como ondas que alcançam inúmeros seres.  

O que é espiritualidade para você?
O Budismo propõe um encontro de você com você mesmo. Isto quer dizer que o buda não está fora de você mas sim dentro de você. Cabe a você contatar com esta capacidade de despertar, de acordar o buda que existe dentro de cada um de nós. É um mergulho interno e, na medida que se vai aprofundando, o seu ego mais egocêntrico e auto-centrado vai se ampliando, como diria um pernambucano, o coração alarga para caber o mundo inteiro, todos os seres...com menos separações sujeito-objeto,  menos gosto-não gosto,  menos certo e errado,  menos apegos e aversões...então, esta viagem pra dentro de si não é para conhecer sua historinha pessoal – essa você conta para seu psicoterapeuta – mas vai além. Você se permite a sincera intenção de se melhorar como pessoa, compreender o que é Ser Humano, aprende a virar gente, que ama, que sofre, que inclui, que não rejeita, que cuida, que quer justiça social, preservação da mata, dos bichos...isto pra mim é espiritualidade, olhar para o universo e perceber a nossa pequeneza e insuficiência, que estamos todos juntos nessa viagem, inter-somos nesse tempo e lugar.
É uma característica que pode ser desenvolvida ou aprimorada?
É treinamento, que exige que você esteja em contato com ensinamentos , que se abasteça de informações em livros, retiros, professores, ou seja, que beba em águas confiáveis. Cada um tem um tesouro dentro de si, a natureza original, a natureza buda, o potencial para o despertar, mas o trabalho de escavação para que essa joia possa se expressar é uma experiência muito pessoal, única  e intransferível. 

A espiritualidade está relacionada com a religião?
 Não é necessário pertencer a uma religião para ter um coração bom e sensível. Um ateu convicto pode ser uma pessoa melhor do que aquela que vai a missa toda a semana, ou àquele que vem para fazer zazen para iluminar-se. Ora bolas, iluminar-se para quê? Não será somente uma vaidade?
Devemos desejar sair da ignorância que limita nossa amorosidade e sabedoria. Acessar esta capacidade inata nos traz contentamento e transbordamento para o mundo e isto é muito poderoso. É uma maneira de manifestar gratidão pela existência.

Monja Kokai Eckert
Monja zen-budista e psicóloga
www.zenvaledossinos.blogspot.com