segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

 O VERDADEIRO DARMA DE BUDA

Tenho lido e ouvido, de professores do zen e praticantes leigos preceitados sobre o verdadeiro darma de buda. Professores que se dizem oferecer o verdadeiro darma de buda e alunos que dizem ter recebido/experenciado o verdadeiro darma de buda. O enunciado “  o verdadeiro darma de buda”, por si só já é dualidade. Se tem um verdadeiro é por que tem um falso. O darma de buda está além dessa dualidade, ele É. Se você não consegue apreendê-lo, vê-lo, percebe-lo , isso não quer dizer que ele não existe.
Mestre Dogen, fundador de nossa ordem , quando voltou da China, trazendo o zen para Japão, disse ao chegar,  que tinha obtido o verdadeiro Darma de Buda. Isto foi o suficiente para deflagrar sérios conflitos com outras ordens budistas. Penso que devemos contextualizar essa fala de Mestre Dogen. Acho que ele não encheu a boca para dizer isto, de forma arrogante e discriminatória e nem era intenção dele provocar  discórdias.
Ele provavelmente queria dizer que tinha aprendido o budismo fundante, ensinamentos sobre a prática budista,  deixados pelo fundador original do zen – Xaquiamuni Buda,  em que o zazen(meditação) fazia parte desses pilares fundantes. Treinamentos em prajna, em sila e Djana, a meditação. Não se fazia meditação nas outras ordens budistas. A prática da meditação -  zazen - é o principal portal para acessar sabedoria(prajna) e compaixão. Exige esforço, disciplina e dedicação. Não basta estudar os ensinamentos de forma intelectual.
No meu entendimento, Dogen fez no Japão, no século XIII o que Bodidarma, no século VII , fez na China, quando levou o darma de Buda para China. Já havia budismo na China, mas era confinado nos mosteiros e não se fazia  zazen – djana. A maneira que encontrou para ser um contraponto, foi sentar-se em zazen de frente para uma parede, dentro de uma caverna, por 9 anos.
Mestre Keizan, também considerado um dos fundadores do zen no Japão, escreveu o Denkoroku – Anais da Transmissão da Luz, onde escreve e comenta sobre a iluminação dos ancestrais da linhagem até ele, por volta do ano de 1400. Ele fala sobre as três eras dos ensinamentos de Buda – a era do  Darma Correto, a era do Darma Imitado e, a era do Darma Degenerado. O Darma Correto se expressa quando de tempos em tempos, grandes ancestrais do Darma  retomam os ensinamentos fundantes e presentificam o Buda vivo. Apesar disso, sucessivas gerações , incluindo a nossa, vivemos o Darma Imitado quando seguimos aprendendo uma doutrina que já percorreu tantos caminhos e que segue como a água, para fundir-se no grande oceano  do Darma. O mar não discrimina entre essa ou aquela água. Inclui a todos que desejam, de coração sincero, seguir nas pegadas do Tathagata – como crianças-Buda,  despertando para o pensamento do despertar. Em comunhão auspiciosa
ROHATSU SESSHIN SÃO PAULO 1º A 08 de dezebro Chegar no Templo e sentar em zazen é voltar para casa. Intimidade com as plantas, novas plantas, novos verdes. O pé de Jabuticabeira que deu seus frutos, a orquídea com novas flores, a goiabeira que alimenta os pássaros. Estar em comunidade, onde nunca há solidão. No comer, no dormir e no sentar em zazen. Encontrar os bichinhos, o gato Charlie que vem todo manhoso, os cães, amado Godo, as três soberanas, Prajna, Mori e Piti. Proximidade com a mestra e seguir aprendendo. Proximidade com meus próximos. Onde me abasteço para seguir girando a roda do Darma. Obrigada a todos!







domingo, 25 de novembro de 2018

                                                              
ROHATSU
um dia de retiro para celebrar a 

                                                              ILUMINAÇÃO DO BUDA
Na tradição Zen Budista do Japão, o dia 08 de Dezembro é considerado o dia da Iluminação de Shakiamuni Buda. Celebra-se com um longo retiro de 7 dias e no amanhecer do 8º dia , uma cerimônia de encerramento marca este importante momento. Há cerca de 2.600 atras, o então principe Sidarta decidiu sentar-se em meditação embaixo de uma árvore Ficus religiosa e permanecer em meditação até acessar às verdades à respeito da vida/morte e outras questões acerca do sofrimento nessa vida. Suportando todas as adversidades e tentações, ele atinge a compreensão profunda e ascende à boddhi, a mente iluminada. Num átimo ele compreendeu o mistério da existência e os meios hábeis para ajudar os seres a se libertarem do sofrimento causado pelo samsara - o eterno ciclo de morrer e renascer. Seus ensinamentos continuam atuais e preciosos até os tempo de hoje pois são verdades inscritas na mais profunda estrutura da existência. No dia 15 de dezembro, o Zen Vale dos Sinos, a comunidade budista de nossa região também vai celebrar esse dia, realizando um Zazenkai, um dia de retiro, para nos sentarmos como o Buda, com o Buda.
Esta experiência é aberta a todos, independente se tem ou não experiência em meditação ou prática budista.
Para quem vem do interior do estado e precisa de hospedagem, temos alojamento com uma pequena taxa de hospedagem.




Encontro na Unisinos na Semana da Consciência Negra, com a presença do Reitor, Pd. Marcelo Aquino e lideranças do NEABI e Gdirec - Grupo Interreligioso de Diálogo, em 16/11/2018.

sábado, 24 de novembro de 2018

sábado, 20 de outubro de 2018

quinta-feira, 11 de outubro de 2018


NOTA PÚBLICA

A comunidade ZEN VALE DOS SINOS, vem a público manifestar seu repúdio frente às violação cometidas no episódio da jovem que teve uma suástica tatuada com canivete em sua barriga. O ataque com socos, e para fazerem a suástica devem ter sido violentos a ponto de sujeitar e paralisar a vítima, deu-se por ela estar usando uma camiseta com #elenão. Ou seja, a motivação foi política,   pró  candidato Bolsonaro. Primeiro, Independente do conteúdo da tatuagem,  foi um crime bárbaro e  inaceitável. Segundo, àqueles que representam o estado e que   deveriam  acolher a denúncia e proteger a vítima, investigar e buscar os responsáveis, distorcem e polemizam com o objetivo de desresponsabilizar os que alimentam o ódio e os ataques violentos, que tem sido cada vez mais frequentes. O delegado responsável por encaminhar a denúncia comete outra violação,  quando afirma ser um símbolo religioso budista e não uma suástica nazista.   Então se for um símbolo religioso pode, arbitrariamente ser usado como  objeto de violência?  Pela maneira perversa do ataque, esse símbolo tatuado tem mais a ver com nazismo do que com budismo, já que o Budismo condena qualquer atitude de violência e de anti-democracia.
Se é um símbolo do budismo ou não, em nossa opinião,  é irrelevante nesse momento. Inaceitável  é introduzir uma narrativa que agride outra tradição religiosa na tentativa de minimizar tamanha demonstração de intimidação e violência.  Que se faça justiça!

                       Zen Vale dos Sinos, São Leopoldo, 11 de outubro de 2018.