sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Monja Coen em Canoas, palestra promovida pelo CDL
"Empreendedorismo em tempos de mudanças."
28/08/2018


quarta-feira, 22 de agosto de 2018


O SABÃO NA VIDA MUNDANA
Hoje eu não vou escrever sobre budismo e nem sobre política. Vou escrever sobre sabão. Quer coisa mais mundana que sabão?
Deixo a política para as pessoas mais esclarecidas e que estão produzindo, informando, escrevendo, empenhados  em descrever  o momento histórico do pais e da América Latina ,  os ataques à soberania e a democracia. Haja sabão pra lavar toda esta sujeira.
Há muitos anos eu tenho críticas sobre o sabão que se compra nos super-mercados , que aliás são os mesmos nos mercadinhos, armazéns e afins. No mercado não temos muitas escolhas para  o sabão em barra, duas no máximo três marcas. Sabão em barra para mim é aquele maior, que precisa uma mão cheia para manuseá-lo. O resto que está a disposição são aqueles sabãozinhos pequenos, estes sim, oferecidos nas mais diversas cores, para roupas delicadas, para ariar panelas, para gordura pesada, limpeza pesada, limpeza leve...Na minha opinião de dona de casa, que vem de uma época em que o sabão de barra era o principal agente de limpeza, ter uma boa empunhadura para manuseá-lo era fundamental. Também era fundamental que ele tivesse um tamanho anatômico que favorecesse a pegada. Sim, tem  que ter pegada para segurar o sabão. Estes pequenos não favorecem essa pegada, pois as pontas dos dedos e as unhas esfregam junto a louça, a roupa e o que quer que seja. Um sabão para criança pegar, ou seja, infantilizaram o sabão.
Eu tinha um desconforto toda vez que tinha que comprar sabão(com sabonete também  pois acho eles muito pequenos), mas nunca problematizei. Achava que eu era muito chata, implicando até com o sabão?
Até que, viajando para o interior do estado, paro o carro em uma lugar que tinha lanches, suco de cana de açúcar, rapaduras, artesanato, e... sabão. Era um sabão feito no fundo do quintal, por pequenos agricultores do interior do estado, vendidos a quilo, dois anos atrás, R$7,00 o kg. Comprei assim, meio desconfiada, achei tão barato, será que presta? Eram de glicerina.
Naquela semana experimentei um. Bah, que show, nem de longe dá pra comparar com o que temos a disposição nos mercados. Apesar de seu aspecto ser feio, irregular, não era lisinho e retangular, era torto e desengonçado. Mas que macies, a combinação exata entre os ingredientes, provavelmente soda cáustica e as gorduras. O tamanho perfeito para segurá-lo, nem muito grande, nem muito pequeno. Revela a sensibilidade de quem o fez.
Lembro que este era o sabão da minha infância que foi sendo substituído pelo sabão industrializado. O que temos hoje são duas marcas principais, uma de um sabão caro – em torno de r$ 5,00 uma barra e outro, barato, em torno de R$ 2,00 a barra. Hoje não temos nem uma mediano, que tempos atrás ainda havia. O primeiro é bom(mas nem de perto iguala-se ao sabão em questão), o segundo é barato mas não presta. Desculpa a rudeza, mas é isto, não presta. É duro, não desliza na roupa molhada e, você usa uma, duas, três vezes , e quando ele está na metade, racha e se parte e mais pedaços. E são estas as escolhas que temos. Acho que deveriam ir consultar os caras da agricultura familiar para lhes dar alguma orientação. Mas quem diz que eles não sabem fazer um bom sabão?
Ah! Mas vão dizer que hoje todo mundo lava a roupa na máquina e por isto reduziram o tamanho do sabão. Que isto é pesquisa de mercado!
Pois esta pesquisa de mercado que vá lamber sabão!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

domingo, 22 de julho de 2018

RECEITA DE CUCA CASEIRA

Monja Kokai Ec kert



Antes que eu escreva a receita quero explicar que sou portadora de uma antiga tradição alemã. Cresci com minha mãe falando sobre as cucas que a mãe dela fazia, vovó Rosa Margarida, e que ninguém que ela conheça conseguiu fazer cucas tão deliciosas. Minha mãe é a sexta filha de nove irmãos. Meu avô tinha um engenho de arroz e minha vó criava gansos para vender as penas para fazer acolchoados e travesseiros. Os netos, eu inclusive, ajudávamos correndo atras dos gansos para pegá-los para serem depenados enquanto ficávamos segurando eles. Depois de pronto os soltávamos e eles saiam correndo. Moravam numa casa boa e confortável nas cercanias da cidade. Da parte de meu pai os parentes moravam na colonia - onde passei as melhores férias de minha infância. Apesar da familia materna morar perto da cidade, naquela época, idos de 1940, quando tinham que ir para a cidade para comprar tecidospor exemplo, eram algumas horas de carroça.
Só quando minha mãe já era uma jovem adolescente que meu avô comprou carro e seus irmãos mais velhos, tinham motocicletas.
Era comum também as familias terem criação de galinhas e algum porquinho para aproveitar os restos de comida e orgânicos - a lavagem. Os bichinhos eram criados para o consumo das familias. Haviam as árvores frutíferas com as frutas da estação, que eram transformados em compotas e assim tinha sobremesa o ano todo. Também eram feito chimias, de uva, figo, ameixa, etc. Tinham as vacas para tirar o leito. O excedente se transformava em queijo e nata.
Havia o forno a lenha, comum nos fundos das casas. Assava-se o pão, e no final de semana as cucas.

Eu não tenho a receita escrita, é uma tradição oral e prática, mas é mais ou menos assim:

MASSA DA CUCA RÁPIDA: A massa dessa cuca parece uma receita de bolo que acaba se tranformando numa cuca. Não faz parte da tradição alemã mas é muito rápida de fazer.

Ingredientes:
2 xícaras grandes de farinha
um gemadão de 3 ovos para duas xícaras pequenas de açucar
bata as claras em neve com uma pitadinha de sal
uma xícara de leite morno
fermente de bolo
tres colhres grandes de margarina ou meia xícara pequena de azeite.

Misture tudo e coloque dentro de uma assadeira untada.
Sobre a massa coloque as frutas da estação. Por exemplo, no verão tem a uva, de preferência a preta. Se for laranja ou abacaxi é necessário fazer primeiro uma calda com essas frutas e no final colocar um pouco de maizena para deixar cremosa. Espera esfriar um pouco e despeje sobre a messa crua.
Em seguida espalhe a farofa sobre a massa e as frutas.

RECEITA DA FAROFA:

Numa bacia coloque uma xícara grande farinha , uma xícara grande de açucar(de preferência cristal) e meio pacote de manteiga. Amassa tudo com a mão e fica amassando até criar uma farofa. Geralmente, se demora muito e não está dando liga, é porque está faltando algum ingrediente. Se está muito enfarinhado ou açucarado, falta manteiga pois esta que vai dar o ponto. Pode colocar também calena em pó ou raspa de limão. Ou um ou outro. Limão e canela não combinam muito. Pronto. É só jogar sobre a massa. Se sobrar você pode guardar para a próxima pois dura bastante tempo.

RECEITA DA MASSA ALEMÃ:

Ingredientes:
Para um cuca, se quiser fazer de mais sabores duplique a receita.
- Duas xícaras de farinha
- Uma pitada de sal
- Tres colheres grandes de açucar
- uma xícara ou um pouco mais de água morna ou leite morno.
- fermento biológico.
- se quiser uma massa mais sequinha e macia pode colocar um ovo.

Essa massa tem uma receita muito parecida com a massa de pão, só que é bem mais macia. Mexe-se numa bacia com colher de pau pois a massa gruda nas mãos.
Deixa crescer para depois colocar na assadeira, que deverá estar untada. Unta-se também as mãos na hora de colocar a massa mole na assadeira. Aos poucos vai acomodando a massa dentro da assadeira com a palma das mãos untadas.
Cobre-se com as frutas escolhidas e depois coloca-se a farofa por cima.



Bom apetite.

segunda-feira, 25 de junho de 2018


RELATO DE UM ENCONTRO

Dia 19 de junho fui uma das convidadas para uma Roda de Conversa no Fire – Fórum Inter Religioso e  Ecumênico, realizado na FLD –Fundação Luterana de Diaconia. O outro participante foi o candidato a governador Miguel Rosseto, grande humanista, foi ministro no governo Dilma, pessoa muito agradável e de um caráter irrepreensível. A terceira integrante, Yiá Sandrali de Oxum não pode comparecer pois foi acometida por uma gripe muito forte, o que impediu que viesse.
O propósito do encontro era a unidade das esquerdas e o papel das religiões no atual cenário brasileiro. Um espaço de fala, de encontro, de reencontro, de reunir forças e seguir na resistência, um sendo suporte para o outro. Lembra-me o bordado do ramo de pinheiro, último item no rakusu(mini manto do Buda), que representa a sanga, a comunidade budista, que sozinhos  somos frágeis como um pinheirinho  que enverga frente as adversidades, mas muito pinheiros juntos, dando-se apoio mútuo, todos conseguem crescer em direção ao sol, à claridade.
Os presentes eram representantes de agremiações, de CEBS, Movimento Fé e Política, FLD, Conic, MTD, uma representante da Dep Fed Maria do Rosário, MNDH(movimento nacional de direitos humanos) um representante do movimento anti - manicômios , M3D – movimento, democracia, diálogo e diversidade e outras pessoas interessados e preocupados com os rumos da democracia no Brasil.  Durante as apresentações , acentuei as divisões que o Brasil tem vivido, que isto também aconteceu dentro do Budismo e,  frente a isto houve a inciativa de criar uma Frente de Budistas Progressistas. Fiquei surpresa pelas demonstrações de aprovação e saudação a mais este movimento.
Percebe-se que, para além da criminalização da esquerda, principalmente do PT, a prisão ilegal de Lula, cada vez mais a população está se dando conta que o futuro do Brasil, principalmente  a sua recém e débil democracia sofrendo um novo revés, a fragilidade das instituições , os rumos da economia, o desrespeito sistemático à constituição de 88, a precarização geral,  que primeiro atingiu de morte os mais pobres, agora está fazendo água, e chegando à classe média, que incauta, inicialmente apoiou o golpe que destitui uma presidente sem crime de responsabilidade. Esse segmento da população também está começando a se organizar, com uma proposta suprapartidário,  como foi a apresentação por parte de seu representante, um pastor Luterano, da sua Carta de Princípios.
Iniciei abrindo o debate e em seguida foi a vez de Miguel Rossetto. Dividi com o grupo o meu entendimento sobre o momento de paralisia do povo. Um elemento novo me chamou atenção justamente por estes dias. Quando o Brasil estreou na copa, dia 17 de junho, no momento do gol, ninguém, absolutamente ninguém, num raio de alguns km, soltou um foguete. E eu moro num lugar onde uma das minhas contrariedades é foguetório para qualquer coisa. Este silêncio foi muito barulhento, revelador...era o silêncio de um luto,  de uma perda .  Neste ponto eu desviei o assunto sem responder: que luto seria este? Coisa que no circular da palavra, Miguel, com sua sensibilidade respondeu, certeiro como um velho e bom psicanalista: O Golpe foi de uma tal brutalidade e violência que sequestrou a identidade  que o povo tinha com o futebol. Eu diria mais, o signo que representava isto era a camisa amarela da seleção– essa sim, confiscada do povo. Grande parte da classe média , influenciada pela imprensa alinhada com o golpe,  sob o pretexto da corrupção, tomou para si a tarefa de higienizar o país, introduzindo um confronto entre a bandeira verde/amarela do país e a bandeira do PT – de maneira soberba, vaidosa e acreditando-se virtuosos, confiscam também a bandeira do Brasil. Vestem a bandeira do país para desapear a democracia. Esta cena só é comparável com tragédia grega.  Na sequência , o povo fica cada vez mais excluído e privado de ser o protagonista dos destinos da nação. Dessa forma o povo ficou órfão de seus símbolos, só restando a concretude do silêncio catatônico.
Mas a gente sabe que a história é feita da altos e baixos. Seguimos resistindo.
E neste propósito, estamos organizando uma caravana ao acampamento Marisa Letícia para somarmos nossas vozes ao Bom Dia Presidente Lula. Deverá acorrer entre os dias 28 e 29 de setembro.
Monja Coen aceitou o convite para fazer uma visita a ele, no dia 28 de setembro.
Vamos nos organizando.
Uma abraço.

Monja Kokai Sensei

sexta-feira, 15 de junho de 2018

sexta-feira, 1 de junho de 2018